Publicado por: Purpurina | Março 1, 2010

Há dias Assim…

Previsões para sábado, 27 de Fevereiro de 2010: Rajadas de vento forte até 150km/h a partir das 00:00h.

Cheguei a casa às 4h de trabalhar e pelo caminho não me cruzei com nenhuma “rabanada de vento”.

Acordei bem disposta com o barulho do vento a bater nos estores e eu ali no quentinho.

 (Eu não uso relógio pelo simples facto de que, quando não estou atrás de um computador que me indica as horas no canto inferior direito estou no “Dolce far niente” e aí não preciso de ponteiros para nada. Além disto, sei o tempo que demoram as minhas rotinas: tomar banho e espalhar creme 30 min; secar o cabelo 30 min; viagem de metro 30 min; ir à sogra cerca de 30 min; ir à minha mãe cerca de 40 min, chegar a casa 10 min… Logo, sei que se saio do trabalho às 19h, sei que em condições normais chego a casa da minha mãe por volta das 19:40… Mas mais do que isto, sei que o despertador vai tocar para eu acordar para ir trabalhar, e a partir desse momento só vou ter descanso quando a labuta terminar. Então se não preciso de relógio enquanto estou a trabalhar, porque hei de o usar no meu tempo livre?)

Pensei: “Deixa ver que horas são…” peguei no telemóvel mas estava sem bateria (e também não tinha o carregador em casa). Liguei o meu relógio de quarto: a televisão. Ainda com a visão turva, não reconheci nenhum dos programas, o que só queria dizer 2 coisas: ou era mais cedo do que eu COSTUMAVA acordar porque ainda não estava a dar o telejornal, ou era mais tarde porque o telejornal já tinha acabado…

Estico-me mais um bocadinho, o suficiente até me mentalizar que tenho de sair da cama.

Vou até à cozinha na intenção de comer alguma coisa mesmo não tendo fome, porque de outra maneira essa oportunidade só voltaria às 21h.

Vejo no relógio do fogão que são cerca das 13:30.

Abro o frigorífico e vejo que tenho mesmo de cozinhar a pescada que tinha deixado temperada. Salada russa com filetes de pescada. Sei que não vou comer, mas também não posso deitar ao lixo. Fica pronto para amanha. Sabe bem comer esta comida fria.

A meio da operação falta a luz. Quando me sinto empestada com o cheiro do cozinhado é que tenho a noção que o exaustor não está a trabalhar.

Chegou a hora de lavar a louça, e não há agua. Pois! Não há luz, as bombas de água não funcionam.

Tenho de ir trabalhar.

Tenho de tomar banho. E agora? Nem sei se tenho tempo para ir a casa da minha mãe tomar banho. Também não tenho telemóvel para ligar para o trabalho. Mesmo que tivesse, toda a gente sabe como é o trabalho por turnos e não há ninguém que nos substitua. Às tantas era melhor eu apanhar o cabelo, enrolar até ficar no tamanho de um novelinho de lã, passar gel e despejar um frasco de perfume em cima. Quem toma banho todos os dias cheira mal? Será que alguém vai notar? Vou aguentar assim 7 ou 8 horas?

Depois lá me lembrei que quando fiquei responsável pelo condomínio alguém me falou em falhas de luz blá blá blá bombas de água blá blá blá abrir a torneira blá blá blá.

Desço a correr pelas escadas (claro). Ligo a torneira. Subo a correr. Verifico se já tenho água. Tenho. Vou para a casa de banho a pensar como é que tomo banho às escuras, pior, vou trabalhar com o cabelo molhado, a cabeça vai ficar gelada, eu vou ficar mal-humorada e doente. Abro a torneira, espero pela água quente que nunca mais vem. Lembro-me que a caldeira precisa de energia eléctrica. Fecho a água. Agora o plano do cabelo apanhado já não resulta porque com a corrida nas escadas estou a transpirar.

Pego nas botas, na camisa e nas calças e corro novamente pelas escadas em direcção ao carro. São 3 horas. Segundo as minhas contas é a hora certa!

Isto é a vida de uma rapariga que nunca viveu num apartamento.

O rio-ave está a desbordar.

A 1 minuto de chegar a casa da minha mãe, paro num cruzamento e vejo um senhor com idade para ser meu pai, a empurrar a mota, porque a intensidade do vento era tanta que não dava para estar em cima da mota e equilibrar-se. Nisto vem uma rabanada de vento e o senhor faz um esforço enorme para não cair. Acredito piamente que naquele momento as posições inverteram-se e era a “mota que segurava o senhor”, caso contrário, se ele não tivesse onde se segurar já tinha voado. O meu carro cedeu. Fiquei nervosa. Senti logo a tensão nas pernas. Carreguei ainda mais no travão. Já parecia um tolo em cima da ponte. Ironicamente no rádio começa a tocar ”Gabriel” dos “Lamb” “I can fly but I want his wings”. Pensei: “com este tempo não é difícil!”.

Chego a casa da minha mãe e não está lá ninguém. Segundo a vizinha ela tinha acabado de sair para o hospital, onde está o meu pai, que foi operado. Estou nervosa e não tenho ninguém que me passe a mão no pêlo.

Chego ao trabalho na horinha certa. Parece que o turno do dia foi um corrupio. Ligo o telemóvel. Ligo para o meu marido, e ele conta-me que de manha teve um pequeno despiste devido a uma rajada de vento, mas que estava tudo bem, que só tinha mais um carro na estrada e por isso não bateram.

Desejo que a situação não piore.


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